
A BYD, sigla para Build Your Dreams (“construa seus sonhos”, em português), começou a produzir carros há apenas seis anos. Sua sede é em Shenzen, no sul da China, paÃs cuja indústria automobilÃstica não é conhecida nem respeitada por sua capacidade de inovação ou pela preocupação com questões ambientais. É um espanto, portanto, que a BYD surja hoje como uma das candidatas a tomar a dianteira na corrida tecnológica para o desenvolvimento do carro do futuro. A empresa lançou no final do ano passado o sedã F3DM, o primeiro carro hÃbrido plug-in, cujas baterias podem ser recarregadas em tomadas convencionais. O modelo roubou a cena que a GM preparava para seu Volt, anunciado para ser o pioneiro no segmento, mas que só deve chegar ao mercado em 2010. Chegou antes, custando muito menos: 22 000 dólares, quase metade do valor previsto para o Volt. Num turbilhão de inovação, os chineses prometem para o final deste ano a chegada ao mercado do primeiro carro elétrico de série, o e6, com autonomia de 400 quilômetros, o dobro dos projetos da concorrência.
Uma das pistas para entender como uma montadora desconhecida tomou a frente no desenvolvimento do carro elétrico está em sua origem. Fundada em 1995 pelo empresário Wang Chuanfu, filho de agricultores pobres que ficou órfão na adolescência e se formou em engenharia com a ajuda dos irmãos mais velhos, a BYD nasceu fabricando baterias de celulares em Shenzen. Em apenas cinco anos de operação, conquistou a liderança do mercado mundial, posição mantida até hoje. A diversificação do negócio, com a entrada no setor de automóveis, ocorreu em 2003, quando Wang comprou uma montadora estatal falida. “Comecei a me interessar por carros pouco antes de iniciar esse negócio”, afirmou numa entrevista recente à rede americana CNN. “Antes, eu nem sabia dirigir.”

O que falta à BYD em experiência na fabricação de carros sobra em conhecimento sobre as baterias, justamente o item apontado como o maior desafio tecnológico para tornar viáveis carros hÃbridos e elétricos. As montadoras tradicionais ainda buscam uma bateria que torne compatÃvel uma boa autonomia com um peso não muito elevado, além de um preço razoável. A BYD desenvolveu um tipo especial de baterias de Ãon de lÃtio, que chegam a ter metade do peso de um modelo de nÃquel como o utilizado em carros como o Toyota Prius. Além disso, sua tecnologia permite armazenar o triplo de energia e gerar o dobro de potência para o motor. O negócio de Wang atraiu um sujeito que sempre se mostrou cético em relação a companhias dependentes de novas tecnologias. O americano Warren Buffett, o maior investidor da atualidade, tornou-se sócio da BYD no ano passado ao comprar uma participação de 10% por 230 milhões de dólares. Foi o primeiro investimento de Buffett fora dos Estados Unidos. “Em carros de energia alternativa, seremos os lÃderes em breve”, afirma Wang, que sonha vender 700 000 veÃculos elétricos em 2010. Será preciso esperar até lá para ver se o faro de Buffett para bons negócios estava, mais uma vez, apurado.
Fonte: Portal Exame